| Itinerário modernista ou os dias do Art Deco Português |
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| Portugal - Art Deco | |
| Escrito por Frederico Lima | |
| 10-Mar-2009 | |
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(Ver newsletter "Itinerários Modernistas") ... Alonguei-me nesta confissão. Corri atrás do sentimento quando os meus motivos são bastante mais prosaicos. Desejo colocar em evidência facetas do património urbano lisboeta que me parecem negligenciadas ou carentes da atenção devida. Refiro-me concretamente à Art Deco e ao Modernismo em particular. O termo Art Deco de origem francesa (abreviação de arts décoratifs), refere-se a um estilo decorativo presente nas artes plásticas, aplicadas e arquitectura, no período compreendido entre as grandes guerras. O seu epicentro de notoriedade e designação teve origem na Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris em 1925.
No padrão decorativo Deco predominam as linhas rectas ou circulares estilizadas, as formas geométricas e o design abstrato. Assim as fachadas Deco adquirem rigor geométrico e ritmo linear,com fortes elementos decorativos em materiais nobres. Destacam-se o uso generalizado do betão, dos motivos femininos, dos tons rosa e da geometrização das formas. É a par de outras correntes estéticas do príncípio do século XX, construtivismo, cubismo, Bauhaus, futurismo, o catalizador do movimento modernista europeu. Em Portugal assumiu um evolução progressiva do estilo arte nova das fachadas através da geometrização de todos os elementos estéticos e foi a partir da estética Deco que se evoluiu para o efémero modernismo português. Nas palavras da arqª Ana Tostões "... expressão balizada entre o novo gosto Deco e um purismo racionalista que se referenciava claramente nos modelos da vanguarda internacional do movimento moderno." A arquitectura modernista que se desenvolve em Portugal nas décadas de 20 e 30 tem um sentido claramente geracional e nasce do pensamento estético de um conjunto de arquitectos nascidos entre 1896 e 1898 ( Pardal Monteiro, Cristino da Silva, Carlos Ramos, Cottinneli Temo, Cassiano Branco, Jorge Segurado, Rogério de Azevedo). Na ausência de formulação teórica dada a formação académica em arquitectura extremamente conservadora quer receberam, é pela prática que desenvolvem o vocabulário modernista. De facto é legítimo afirmar-se que esta geração cresceu orfã do ponto de vista da conceptualização teórica e provavelmente por isso se deixaram influenciar pelo classicismo, de tal forma que se tornaram mais tarde, cúmplices e legitimadores da chamada arquitectura de regime (vulgo Estado Novo ou ainda Português Suave). Ainda assim durante os seus verdes anos modernistas produziram obra por demais significativa e influenciaram decisivamente as gerações de arquitectos posteriores. O seu legado particularmente em Lisboa, é vasto e merecedor de atenção e carinho particulares. É isso que modestamente nos propusemos a realizar nos Itinerários Modernistas ou os dias do Deco Português. Usem-nos e dêem-nos a conhecer por favor. Lisboa merece e precisa. Este é ainda um itinerário em construção. Trata-se de uma primeira aproximação geográfica ao período modernista da arquitectura portuguesa e particularmente ao que foi construído em Lisboa durante as décadas de 20 e 30 do século passado e com o carácter mínimo indispensável para poder integrar aquela classificação. Repito que esta se trata ainda de uma abordagem algo incipiente e sedenta de informação. O tempo a alimentará e servirá de mais e melhor estrutura informativa, nomeadamente no que concerne à ficha técnica dos edifícios em destaque. Por outro lado, ainda não é um roteiro exaustivo ou seja, alguns bairros da cidade ainda não tiveram a merecida cobertura geográfica. Prometemos novidades para breve. Ainda assim a superfície lisboeta coberta é já significativa e o portfolio arquitectónico fascinante, na nossa apaixonada opinião. Procurámos integrar neste itinerário não tão só os edifícios mais significativos e interessantes do período modernista mas todos aqueles que de forma mais modesta ou menos exuberante, constituem o património arquitectónico do movimento. O princípio seguido foi o de que “…se só ao pássaro mais belo fosse permitido cantar, a floresta seria um lugar solitário.” O presente e inacabado itinerário foi um trabalho desenvolvido com poucos recursos, nomeadamente informativos, mas com muita paixão. Move-nos o amor à cidade, a esta Lisboa tão bela e tão maltratada. Alguns dos percursos realizados foram feitos com o recurso à memória que tínhamos da cidade. Encheu-nos de tristeza constatar que alguns dos edifícios de que nos recordávamos deixaram de existir e outros encontram-se devolutos e aparentemente condenados, presas da voragem do mau gosto imobiliário. No melhor estilo Sioux devemos lembrar que a cidade não nos pertence, apenas a guardamos para as gerações vindouras. Não podemos permitir que a estas apenas seja permitido apreciar o modernismo arquitectónico português através dos volumes X e XI da Lisboa Desaparecida. Alguns avisos à navegação:
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